sábado, 12 de dezembro de 2009

A Rita


O dia estava nublado, havia chovido na noite anterior. Era perto do meio dia e os pássaros não cantavam muito, como se falassem apenas o necessário. Como nem eles demonstravam alegria, todo o ambiente estava suspenso, como que esperando algo acontecer para definir se este seria um dia triste e nublado ou um dia discordante do seu segundo plano.

Havia três dias que não dormia por causa de suas exorbitantes dívidas. Pouco dinheiro, pouco trabalho e nenhuma disposição. Dessa soma, a dívida, com certeza, é o resultado. As últimas noites tinham sido gastas apenas para pensar como ganhar algum dinheiro para então poder se dedicar totalmente à sua deusa, ao seu desejo constante: Rita.

Rita era uma mulher viúva. Sua viuvez a deixara mais encantadora, pois seu ar já misterioso por natureza se transformou num ar totalmente incógnito, pedindo para ser desvendado, pedindo para que descobrissem o que verdadeiramente havia por trás daquele corpo branco como o leite. Como se, por pura ingenuidade, pedisse para que os homens a procurassem, a desejassem. Porém, o que poucos sabiam era que tanto mistério era na verdade uma forma de se esconder. Rita era excessivamente tímida.

Ela não sabia como se portar com as pessoas. Depois que seu marido morreu, perdeu totalmente sua referência de como se comportar em público. Perdeu também o grande companheiro da sua vida, aquele que a compreendia, que a amava acima de tudo. Não que ela não goste de Marcos, mas esse novo relacionamento é puramente carnal.

Marcos andava com um ar preocupado pelas ruas do centro de sua cidade. Dirigia-se ao banco para tentar mais um empréstimo salvador para poder quitar suas imensas dívidas. Ao virar a esquina da XV de novembro, ve sua deusa a beijar outro homem.

Marcos não acredita. Definitivamente não consegue se movimentar, até o seu olhar fica imóvel. Semelhante à criança que espera avidamente sua avó lhe buscar da escolinha e quando a ve simplesmente não consegue se mexer, a emoção é tanta que a única ação possível é deixar cair uma lágrima. Mas não se pode dizer que esta lágrima é de tristeza, indiferença ou felicidade. Esta lágrima apenas é. Esta lágrima é a exteriorização de uma explosão que acontece internamente, uma explosão de sentimentos e pensamentos e aflições e desejos e alucinações. É desse jeito que Marcos fica. Totalmente inerte, a não ser pela lágrima quase imperceptível que corre em seu rosto.


3 comentários:

  1. Olá Michel! Você tem um belo blog aqui! Sempre achei muito corajoso postar os próprios textos. Eu gostei deles.

    ***E eu adoro os Malvados!***

    Que bom que você também gostou do dossiê Rê Bordosa...além do filme ser ótimo, traz de brinde o Laerte e o Angeli..hilário!

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  2. Xexela.. vamo pra floripa?
    um beijo, lindinho

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  3. opa!
    Valeu também!
    Já está "favoritado"!
    até!

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